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Endura anuncia o desenvolvimento do primeiro projeto em escala comercial de captura e armazenamento de carbono com múltiplas fontes de CO₂ do setor sucroenergético

2026-08-28 · Renan Lopes · PT

Rio de Janeiro, 27 de agosto de 2026 – A Endura Carbon anunciou o desenvolvimento do seu projeto de captura e armazenamento geológico de carbono de origem biogênica (BECCS, “Bio Energy Carbon Capture and Storage”, na sigla em inglês) na Bacia do Paraná, no Estado de São Paulo, denominado Polo Centro-Oeste Paulistas. A empresa protocolou junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a solicitação de área para armazenamento geológico de CO₂ e firmou parceria com a Usina São Manoel, que atuará como fornecedora de CO₂ e de energia elétrica renovável ao empreendimento. O investimento estimado para o primeiro polo supera R$ 1,5 bilhão.

O anúncio marca a transição de uma etapa de estudos para a fase formal de desenvolvimento do projeto. Não representa decisão final de investimento (FID), que dependerá da conclusão dos estudos técnicos, da obtenção das autorizações regulatórias e ambientais aplicáveis e da estruturação comercial e financeira do empreendimento. O valor informado é uma estimativa preliminar de engenharia, sujeita a revisão à medida que os estudos avançarem.

Um ano de geologia antes do primeiro protocolo

A solicitação à ANP é resultado de mais de um ano de trabalho técnico da equipe da Endura sobre a Bacia do Paraná. O time reuniu e reinterpretou as informações geológicas disponíveis sobre a bacia — de poços, levantamentos sísmicos e estudos publicados, para identificar as áreas com maior potencial de armazenamento seguro e permanente de CO₂, mapeando reservatórios geológicos profundos e rochas selantes que os cobrem. Somaram-se a isso dados de magnetometria e gravimetria, que medem variações nos campos magnético e gravitacional a fim de identificar formações com potencial geológico.

"Integramos e reinterpretamos um grande volume de dados até termos convicção técnica sobre onde o CO₂ pode ser armazenado em grandes volumes e com permanência. O projeto nasceu da geologia e da compreensão do potencial do reservatório, e não de uma oportunidade comercial que depois foi buscar um lugar para acontecer. A definição da área, a estratégia de desenvolvimento e os próximos passos regulatórios junto à ANP são consequência dessa base técnica. É nesse mesmo padrão que iremos conduzir todas as etapas do processo junto à ANP.", diz Daniel Pedroso, Co-fundador e CEO da Endura.

Projeto com características inéditas

O projeto apresenta duas características que o distinguem das iniciativas de CCS hoje em desenvolvimento no país:

  • Projeto concebido para receber CO₂ de múltiplas fontes do setor sucroenergético, e não de uma única unidade produtora, arquitetura que permite ganhos de escala e abre espaço para a entrada de novos fornecedores ao longo do tempo, além de não demandar investimentos de capital por parte das usinas de etanol;

  • Integração energética: A Endura pretende utilizar a bioeletricidade e o biometano produzidos pelas mesmas usinas que fornecem o CO₂ biogênico. O resultado é um ecossistema integrado e energeticamente autossuficiente, que reduz a intensidade de carbono da captura e do armazenamento e entrega uma remoção líquida de maior qualidade do que projetos dependentes da rede.

O CO₂ proveniente da fermentação do etanol e da produção do biogás é de origem biogênica e apresenta alta pureza, o que reduz significativamente o custo e a complexidade da etapa de captura em comparação com fontes industriais de gases diluídos.

Parceria com a Usina São Manoel

A Usina São Manoel é parceira do empreendimento com o fornecimento de CO₂ e de energia elétrica renovável, além da possibilidade de fornecimento de biometano. A parceria estabelece a base industrial e energética sobre a qual o projeto será desenvolvido e reflete o interesse do setor sucroenergético em soluções de descarbonização de longo prazo.

"A transição para uma economia de baixo carbono é uma oportunidade histórica para o agronegócio brasileiro. Projetos como este abrem novas frentes de desenvolvimento sustentável para a região, abrem novas oportunidades relacionadas aos subprodutos gerados pelo setor e reforçam o protagonismo do Brasil na agenda climática global.", afirma Pedro Dinucci, Diretor Presidente da Usina São Manoel.

Combustíveis de baixo carbono para setores de difícil abatimento

Além de viabilizar a remoção permanente de carbono de origem biogênica, o armazenamento do CO₂ da fermentação altera o perfil de emissões do próprio etanol — e, com ele, o dos combustíveis dele derivados. Isso amplia o alcance do projeto para setores em que a descarbonização é reconhecidamente difícil, como aviação, transporte marítimo e química.

Dois desdobramentos são especialmente relevantes para o Brasil. Na aviação, o etanol é matéria-prima da rota alcohol-to-jet (ATJ) para produção de SAF, o combustível sustentável de aviação: capturar e armazenar o CO₂ da fermentação reduz a intensidade de carbono do etanol na origem e, somado a outras medidas ao longo da cadeia, abre caminho para um SAF com pegada de carbono próxima de zero ou negativa no ciclo de vida.

No transporte marítimo, o etanol já vem sendo testado como combustível de baixo carbono — em julho, o Porto de Santos recebeu uma das primeiras operações de abastecimento de porta-contêineres com bioetanol — e o mesmo efeito se aplica: o etanol marítimo produzido a partir de uma cadeia com CCS pode alcançar emissões líquidas nulas ou negativas.

Nos dois casos, trata-se de agregar valor a uma cadeia produtiva que o Brasil já domina, reforçando o protagonismo do país na transição energética e na descarbonização, estendendo-se ao longo de toda a cadeia de valor do setor sucroenergético, até a remoção e armazenagem do dióxido de carbono de origem biogênica.

O CCS no Mundo e a vantagem brasileira

Segundo o Global CCS Institute, existem atualmente 77 projetos de captura e armazenamento de carbono em operação no mundo, liderados por Estados Unidos, Europa e China. O Brasil ainda não conta com um projeto comercial de armazenamento geológico dedicado em operação.

Desenvolvido com engenharia brasileira, o projeto da Endura aproveita características próprias do setor sucroenergético nacional — fontes concentradas de CO₂ biogênico de alta pureza, geração própria de energia renovável, distâncias curtas de transporte e localização onshore — que permitem um custo de desenvolvimento significativamente inferior ao de projetos de referência no exterior, como o Porthos, nos Países Baixos, o Northern Lights, na Noruega, e o Greensand, na Dinamarca, todos com armazenamento offshore e cadeias logísticas mais complexas.

Próximas etapas

As próximas etapas incluem a análise da solicitação pela ANP, a realização de investimentos propostos no pedido de autorização para a confirmação da caracterização da capacidade do reservatório, os estudos de engenharia e o licenciamento ambiental. O cronograma, a capacidade de injeção e a configuração final do investimento serão divulgados à medida que os estudos avançarem e as definições forem consolidadas.


Sobre a Endura Carbon

A Endura Carbon é uma empresa brasileira concebida para desenvolver projetos de captura e armazenamento geológico de carbono. Formada por executivos com experiência nas indústrias de óleo e gás e de bioenergia, a empresa estrutura hubs que integram fontes emissoras, transporte e armazenamento permanente de CO₂, originando créditos de remoção de alta integridade para compradores no Brasil e no exterior. www.enduracarbon.com

Sobre a Usina São Manoel

Fundado em 1949, a Usina São Manoel é uma das referências do setor sucroenergético brasileiro. Com operações em São Paulo, produz açúcar, etanol, bioenergia e levedura para os mercados nacional e internacional, com uma trajetória pautada pela excelência operacional, pela inovação e pela geração de valor econômico, ambiental e social. www.saomanoel.com.br

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